segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Descaminhos

¿onde
João Gabriel perdeu a chave
Elias perdeu a carteira
Márcia perdeu o livro
Radamés perdeu o isqueiro?

¿como
Grinauria perdeu as memórias
Valdinho perdeu o juízo
Joselita perdeu a esperança
Pedro perdeu o controle?

¿cadê
o braço de Zé Trindade
os cabelos de Ananias
os dentes de Marinete
a perna de Dorival?

¿com quem
Joceline perdeu a virgindade?

¿onde
eu me perdi?
          — ¿por quê?!

¿será que Judas encontrou as botas?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Na "berlinda" da Germina










Estou na "berlinda" da revista eletrônica Germina, edição setembrina/2010, com uma seleção de 11 poemas.

Gratíssimo à querida Silvana Guimarães, pelo convite e incentivos!

Confiram AQUI!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Papos insólitos

Andando nas ruas, viajando em ônibus, parado em filas... Estou sempre de orelha em pé, ouvidos atentíssimos às conversas alheias. Às vezes capto conversas estranhas, algumas pelo meio, outras já no fim. Então, fico sem saber do que estavam falando.
Nos papos abaixo, a palavra “DENGUE” sobressai.

SURTOS DE DENGUE

1

Ao entrar no ônibus, sento atrás de duas garotas (14 e 16 anos, mais ou menos), que já conversavam:
— Quando chegar a hora, você vai saber.
— Como?
— Vai te dar uma coisa, assim... Aí você vai ter certeza!
— Que coisa?
— Ah, sei lá... Uma coisa! Tipo assim: um calafrio...
Calafrio?
— É. Um calorão, depois um frio... Você se estremece toda...
Huuum... Tipo dengue!
— É... Mais ou menos... Só que mais grave, porque não tem volta... Nunca mais você vai ser a mesma...
— Afe! Nunca mais?
— Nunquinha!
— Jura?
— Depois do calafrio, babau!
— Como assim?
— E eu que sei? Pra cada pessoa é diferente, mas é meio igual pra todo mundo! Você pergunta demais! Que coisa!
— Tô curiosa, né!
— Espera a sua vez, aí você vai entender...
Huuum...


2

No terminal de transbordo, espero o Colibri-Canaã 3, sempre atrasado. O motorista baixinho enfezado, sempre com atrasos, correndo feito louco. Ao meu lado, um rapaz (talvez 19 anos). Chega um amigo dele e começam o diálogo:
— E aí?
— E aí!
— Tu foi?
— Fui.
— Como foi lá?
— Meia-boca.
— Merda, hein!
— Não chegou a tanto.
— Hã... E o que tu fez?
— Nada demais. Só fiquei um pouco, daí me mandei.
— Saquei.
— E tu, por que não foi?
— Tava meio malzão, vomitei que nem um condenado.
— Ixe! Foi no médico?
— Nada. Minha mãe fez um chá trevoso, aí melhorei um pouco. Mas ainda tô meio ruim.
— Podia ter pego um atestado, mané!
— É, podia. Agora já era.
— Será que é dengue?
— Sai pra lá, mano! Joga praga não, pô!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010



te reencontrar:

jantar na terça-feira
os restos da feijoada de domingo

requentar na quinta
a sopa de repolho da segunda

aquela paixão
foi um porre de rum,
hilária feito a piadinha da uva passa

ahora puedo sonreír

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ler é uma viagem fantástica!



Essa é a nova tirinha certeira do João Montanaro, um garoto paulistano de 14 anos que, como já se disse em vários blogs internet afora — e eu concordo —, "escreve e desenha tirinhas melhor do que muito marmanjo manjadão". Para se ter uma ideia do quanto seu talento já é reconhecido, saibam que ele faz a charge política dos sábados na Folha de S.Paulo, desenha pra revista MAD e brevemente lançará um livro com suas melhores "tiradas".

Mas por que só agora falo dele? Porque a tirinha ali em cima me fez lembrar o quanto os livros (e gibis, revistas, jornais — a leitura em si) foram importantes na minha adolescência e continuam sendo.

Se ao menos metade da molecada de hoje em dia, em especial estudantes de escolas públicas, se convencesse de que ler é uma viagem super enriquecedora, o mundo seria bem melhor!

A Revista O Grito foi das primeiras publicações online a chamar atenção para o trabalho dele, aqui e acolá.

Vejam várias entrevistas com João M., no You Tube.

E se ainda não conhecem o blog dele, clicaqui.

sábado, 19 de junho de 2010

Verbetes Infames # 2

medir as palavras:

contar as letras pra ver se cabem nos buracos das cruzadas

e/ou

não falar “certas verdades inescapáveis” quando quiser
pra não ouvir o que não quer.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O desrespeito dos livreiros pelo escritor

Vejam o que recebi da Saraiva por e-mail, cerca de uma hora após o anúncio do falecimento de José Saramago:



Metendo o dedinho do mouse ali, o que abre?

COMPRE OS LIVROS!



É o queima do estoque dos livros do escritor, enquanto se prepara a cremação do corpo dele...

Apartir de hoje, não compro mais nada na Saraiva!

sábado, 12 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

o que havia de barco
nunca zarpou

o que havia de submarino
nunca emergiu

o que havia de trem
jamais apitou

o que houve de avião
nunca decolou

(daí meu desapego
aos paraquedas,
aos prévios avisos,
ao ar comprimido,
às velas e ventos)

o que resta de bike
pedala por aí
sem medo de chão

segunda-feira, 19 de abril de 2010

me arriscar no mapa
de outras paragens
sem passagem
de volta

navegar impreciso

segunda-feira, 12 de abril de 2010

menino buliçoso

de minha vó
de minha mãe
de minha tia
ganhei
lapadas

a vó
me deu conselhos

a mãe
me deu de comer

a tia
me deu cadernos

da vida
ganhei
lapadas
e o amor
dessas três mulheres

sexta-feira, 26 de março de 2010

É por isso que tô gordo?

A hippie, magrela-meu-deus, declara toda orgulhosa:
— Me alimento de luz.
— E eu, de cuscuz — rebato, com as tripas a roncar.

terça-feira, 2 de março de 2010

Didi e Lili Geração Mangá



Já está nas bancas de todo o Brasil a primeira edição da revista Didi e Lili Geração Mangá, publicada pela Editora Escala. Pegando carona na calda do cometa dos mangás, que viraram moda no mundo inteiro e no Brasil em especial, narra aventuras do antológico personagem de Renato Aragão, Didi, e também da Lili, vivida nas telas por Livian Aragão. É produzida pela Activa, coordenada por Franco de Rosa, com roteiros de Debrah Demaris e arte de Ivan Rodrigues, Arthur Garcia, Alexandra Mattos e Antonio Lima, entre outros.

A primeira edição é composta por três histórias: Lili e o príncipe do shopping, “Didi e Lili e o Relógio do Contratempo” e “Didi e os Vampiros do Crepúsculo”. Formato 16 x 21,5 cm, com 68 páginas. Esta edição de lançamento custa R$ 4,90.

E eu já estou escrevendo alguns roteiros a serem desenhados para edição 3. Veja um trecho abaixo:

LILI EM A ILHA DOS GOLFINHOS

PÁGINA 1

QUADRO 1
Detalhe do Corcovado, com a silhueta imponente do Cristo Redentor.

QUADRO 2
Vista aérea do aeroporto do Galeão-Tom Jobim, no Rio de Janeiro.
NARRATIVA — Aeroporto Tom Jobim, Rio de Janeiro.

QUADRO 3
Dentro do aeroporto, close de um autofalante, que anuncia:
AUTOFALANTE — Atenção, senhores passageiros com destino a Recife ou Fernando de Noronha: embarque no portão 13 dentro de cinco minutos.

QUADRO 4
Lili, vestida com calça corsário e blusinha, super fashion. Ela está impaciente na fila do check in, com uma mochila e uma mala enorme num carrinho e uma prancha de surf embaixo do braço. Ela olha o relógio de pulso, preocupada.
LILI (Balão de pensamento) — Ai, meu São Golfinho das Nadadeiras Prateadas! A Juju se atrasou de novo! Vai acabar perdendo o voo! Decerto, a tonta acha que Noronha é logo ali, na esquina de Copacabana!

O final vocês podem conferir daqui a alguns meses, nas bancas, tudo bem desenhadinho!