terça-feira, 24 de agosto de 2010

Papos insólitos

Andando nas ruas, viajando em ônibus, parado em filas... Estou sempre de orelha em pé, ouvidos atentíssimos às conversas alheias. Às vezes capto conversas estranhas, algumas pelo meio, outras já no fim. Então, fico sem saber do que estavam falando.
Nos papos abaixo, a palavra “DENGUE” sobressai.

SURTOS DE DENGUE

1

Ao entrar no ônibus, sento atrás de duas garotas (14 e 16 anos, mais ou menos), que já conversavam:
— Quando chegar a hora, você vai saber.
— Como?
— Vai te dar uma coisa, assim... Aí você vai ter certeza!
— Que coisa?
— Ah, sei lá... Uma coisa! Tipo assim: um calafrio...
Calafrio?
— É. Um calorão, depois um frio... Você se estremece toda...
Huuum... Tipo dengue!
— É... Mais ou menos... Só que mais grave, porque não tem volta... Nunca mais você vai ser a mesma...
— Afe! Nunca mais?
— Nunquinha!
— Jura?
— Depois do calafrio, babau!
— Como assim?
— E eu que sei? Pra cada pessoa é diferente, mas é meio igual pra todo mundo! Você pergunta demais! Que coisa!
— Tô curiosa, né!
— Espera a sua vez, aí você vai entender...
Huuum...


2

No terminal de transbordo, espero o Colibri-Canaã 3, sempre atrasado. O motorista baixinho enfezado, sempre com atrasos, correndo feito louco. Ao meu lado, um rapaz (talvez 19 anos). Chega um amigo dele e começam o diálogo:
— E aí?
— E aí!
— Tu foi?
— Fui.
— Como foi lá?
— Meia-boca.
— Merda, hein!
— Não chegou a tanto.
— Hã... E o que tu fez?
— Nada demais. Só fiquei um pouco, daí me mandei.
— Saquei.
— E tu, por que não foi?
— Tava meio malzão, vomitei que nem um condenado.
— Ixe! Foi no médico?
— Nada. Minha mãe fez um chá trevoso, aí melhorei um pouco. Mas ainda tô meio ruim.
— Podia ter pego um atestado, mané!
— É, podia. Agora já era.
— Será que é dengue?
— Sai pra lá, mano! Joga praga não, pô!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010



te reencontrar:

jantar na terça-feira
os restos da feijoada de domingo

requentar na quinta
a sopa de repolho da segunda

aquela paixão
foi um porre de rum,
hilária feito a piadinha da uva passa

ahora puedo sonreír